A TECNOLOGIA NOS ESPORTES

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A tecnologia vem sendo utilizada nos esportes olímpicos para melhorar o desempenho dos atletas, melhorar seu vestuário, melhorar a arbitragem, melhorar a performance dos equipamentos utilizados, no monitoramento anti doping e cada vez mais também para aumentar a segurança física dos grandes eventos de competição.

Este artigo pretende lançar uma visão geral sobre os avanços alcançados com o uso da tecnologia nos esportes de competição.

Nas Olimpíadas, a contribuição da tecnologia teve início na avaliação dos atletas e no monitoramento diário deles por meio de aplicativos, que auxiliam na melhora do desempenho.

Num artigo escrito por David James (The physics of winning—engineering the world of sport), professor de engenharia do esporte na Universidade Sheffield Hallam, publicado na revista IOP Science ele fala sobre como a tecnologia tem influenciado o mundo dos esportes de competição e ajudado os atletas a superar seus limites, desde a bicicleta de fibra de carbono (inspirada nos veículos da Fórmula 1) até as bolas de futebol “chipadas” do vôlei, tênis e futebol.

Segundo o artigo da IOP, cientistas e técnicos sempre foram fascinados pelo mundo dos esportes, desde Isaac Newton que no século XVII, comentou sobre o voo irregular de uma bola de tênis. O fato é que no mundo moderno as pesquisas científicas de vanguarda estão empurrando o desempenho dos atletas e as empresas estão constantemente inovar para impulsionar suas vendas.

No futebol até a década de 1970 a bola de futebol era de couro, o que tinha o inconveniente de absorver umidade e influenciar o desempenho dos jogadores. Nessa ocasião descobriram que ao chutar uma bola, se no chute for provocado um movimento de rotação (SPIN), a trajetória é modificada e acrescenta aí uma dificuldade a mais para o goleiro. O peso padrão de uma bola de futebol oficial deve estar entre 410 g e 450 g. Quando uma bola é chutada com SPIN ele muda o fluxo de ar em torno dele e cria forças aerodinâmicas transversais, o que era mais acentuado quando se jogava em clima seco, com bolas sem umidade. A partir de 2006 as bolas de futebol tornaram-se mais estáveis, o que permitiu aos jogadores a ter um maior controle sobre ela.

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A figura acima mostra a simulação dos fluxos de ar ao redor de uma bola em trajetória de lançamento.

A Bola Chipada foi aprovada no conselho internacional pela FIFA em 2012. O chip possui uma conexão com o relógio que fica no pulso do árbitro e recebe todas informações após a bola atravessar a linha do gol, sendo assim, o juiz terá certeza que foi realmente gol e não precisara passar por sufoco de jogadores ou ficar em dúvidas, esta tecnologia vai ser com certeza um grande conforto para os árbitros e torcedores.

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A figura acima mostra o interior da bola chipada.

Um exemplo do uso da tecnologia no futebol, é o do uso de um programa de pesquisa recente, conduzida pelo Dr. Matt Carré na Universidade de Sheffield, usando um software avançado, conhecido como Dinâmica de Fluidos Computacional (CFD), para simular a física dos fluxos de ar e em torno de bolas de futebol. Eles estudaram e compararam fluxos de ar em torno de quatro bolas, todos com diferentes desenhos do painel, cada uma tendo sido utilizado em diferentes períodos ao longo dos últimos 36 anos.

O vídeo abaixo, de 2012, fala sobre a adoção pela FIFA, do chip em bolas de futebol, o que já havia sido introduzido no Brasil para o vôlei.

No atletismo o desenvolvimento de calçados e roupas especiais de poliuretano para o atleta é uma contribuição já conhecida desde 2008. Os tecidos utilizados na fabricação dos uniformes são compostos em sua maioria por poliamida, algodão e microfibras de poliéster, que garantem conforto, leveza e praticidade, pois são extremamente fáceis de secar.

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A figura acima mostra um bloco de partida de corrida, com dispositivos de sinalização e disparo do cronômetro.

Segundo o site CANALTECH, a empresa produtora utilizou um recurso inteligente nas peças, intitulado Hydrology, que é capaz de absorver e gerenciar a quantidade de suor, garantindo assim que esse fator não comprometa a atenção e o desempenho dos atletas durante os jogos.

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O gráfico acima mostra o avanço no desempenho dos atletas corredores. Imagem IOP Science.

O desempenho dos atletas em quadras, pistas e piscinas requer muito treino, técnica e aptidões físicas. Porém, alguns recursos tecnológicos também são usados na hora de ir em busca de novas medalhas. Em 2008 na China a tecnologia empregada em uniformes e maiôs causou muita polêmica.

As pistas de corridas mais modernas usam uma pistola de partida eletrônica que aciona um som no posto de cada corredor simultaneamente para superar o problema de partida atrasada por problemas de audição. Isto parece um simples detalhe mas pode ser significativo em corridas de curta distância onde uma largada com diferença de 0,03 seg pode fazer a diferença e se leva em consideração o efeito da velocidade do som em relação à velocidade de sinais eletrônicos.

Outra influência significativa foi o fato da substituição do bambu, do salto com vara, por uma haste de fibra de vidro, ocorrido na década de 1960, o que fez o recorde de salto subir de 4,5m para 5,8m até o início da década de 1980 e 6,14m em 1993, por Sergey Bubka.

Uma outra interferência da tecnologia, desta vez limitadora, ocorreu no caso do dardo, na década de 1980 o projeto do dardo foi alterado para limitar sua velocidade. O dardo é um objeto fundamentalmente aerodinâmica; enquanto voa através do ar que é capaz de gerar ‘elevador’, bem como a asa de um avião, chegando ao alcance de 104,8 m em 1984, pelo atleta da Alemanha Oriental Uwe Hohn, por questão de segurança e para evitar que a parte trazeira do dardo chegasse ao chão antes da ponta. A partir de 1986 todos os dardos permaneceram com uma sua massa padrão de 800 g, mas o seu centro de massa (ponto de equilíbrio) mudou-se para a frente por 4 cm. Esta mudança no projeto reduziu a eficiência aerodinâmica do dardo fechando o ângulo de ataque durante o voo. A mudança sutil na distribuição de massa também contribuiu para que o dardo pousasse com a ponta em primeiro lugar, reduzindo assim a quantidade de lances de falta e permitindo a medição de distâncias mais facilmente.

No jogo de tênis, em 1976 as raquetes grandes (oversize racquet) de tênis tomaram conta tornando-o um esporte mais rápido, mais fácil e mais acessível para jogar. Os materiais modernos (grafite, carbono e Kevlar) usados na fabricação tornaram as raquetes de tênis mais leves e mais fortes, as primeiras raquetes grandes de madeiras não foram muito bem aceitas por sua fragilidade.

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 A figura acima mostra a tecnologia SAP usada no monitoramento do jogo de tênis.

A SAP e a Associação de Tênis Feminino (WTA) anunciaram uma inovação tecnológica que irá permitir aos treinadores usar em quadra, durante o período da partida, um aplicativo móvel para orientação às atletas. A aplicação criada pela SAP, WTA Coaching App, coleta dados em tempo real, possibilitando a análise do desempenho das tenistas durante as partidas.

Segundo David James, na realidade, a principal razão pela qual a raquete grande fez o jogo de tênis mais rápido é devido aos jogadores que são capazes de bater a bola com mais efeito rotatório (SPIN). Como já tinha notado Isaac Newton, bater a bola com SPIN provoca um mergulho em voo, ajudando assim a fazer a bola pousar dentro da quadra. Em comparação, a mesma bola sendo batida sem SPIN pode muito bem ultrapassar a quadra e o ponto será perdido. Assim como no futebol, quando a bola gira, ele muda o fluxo de ar em torno dele e cria uma força transversal. Recentemente tem-se pesquisado em aumentar ligeiramente o tamanho da bola de tênis (7%), para retardar um pouco a jogada, reduzindo a velocidade da bola.

Nas Olimpíadas, o avanço tecnológico está principalmente nas arbitragens, na evolução dos métodos e nos controles de treinamento. A cronometragem na natação e no atletismo é feita de forma que o cronômetro é automaticamente ativado na partida, e o tempo final é registrado ou cronometrado por uma análise de uma foto no momento final, facilitando a medição e  comprovação dos resultados e dos recordes batidos.

No voleibol, o dispositivo chamado de “tira teima” permite que lances duvidosos que acontecem em alta velocidade sejam revistos e esclarecidos, as câmeras de vídeo de alta precisão tornam possível acompanhar a trajetória da bola em toda a área, com reprodução em 3D.

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A tecnologia de RFID é um termo genérico para as tecnologias que utilizam a frequência de rádio para captura de dados. Existem diversos métodos de identificação, mas o mais comum é armazenar um número de série que identifique uma pessoa ou um objeto, ou outra informação, em um microchip.

A tecnologia de RFID permite a captura automática de dados, para identificação de objetos com dispositivos eletrônicos, conhecidos como etiquetas eletrônicas, TAGs, RF TAGs e transponders, que emitem sinais de radiofrequência para leitores que captam estas informações.

Nos esportes paraolímpicos, o atleta sul-africano Pistorius foi o primeiro atleta biamputado a participar das Olimpíadas, na época causou uma polêmica porque criticava as supostas “invenções” de jornalistas, professores e médicos, ele negava a vantagem por correr com próteses tecnológicas.

Pistorius

As questões sobre o uso da tecnologia no esporte costumam gerar muita discussão e controvérsias. Há alguns exemplos em que a utilização de novas tecnologias possam ter reduzido a diversão para alguns espectadores (no tênis, por exemplo).

Mas para a maior parte, as novas tecnologias tornaram os esportes mais acessíveis e mais agradável para a grande maioria das pessoas que nelas participam.

Nas Olimpíadas 2016 do Rio de Janeiro uma das inovações é o uso intensivo de câmeras de segurança pela organização do evento, que possui reconhecimento facial, no qual as câmeras são capazes de fazer buscas a partir de uma fotografia pré-registrada.

A figura mostra o tipo de câmera como as que serão utilizadas pelo esquema de segurança das olimpíadas do rio 2016. Foto Cláudio Vieira

É possível ainda reconhecer, por meio da captação, o número de pessoas, o sexo e a idade e do Centro Integrado de Comando e Controle. Desde a cronometragem e medição que garantem resultados cada vez mais precisos nas modalidades, até a transmissão de pontuação, quadro de medalhas e programação das competições em tempo real para a cobertura dos meios de comunicação, a ideia é fazer dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro um evento de integração e conectividade.

A cima imagem do Centro Integrado de Comando e Controle. Videowall. Foto Marcelo Horn.

Em tecnologia da informação (TI) esta será a primeira vez que a nuvem (Cloud) será usada em aplicações essenciais, como o Portal dos Voluntários e o Sistema de Credenciamento, o Centro de Operações Tecnológicas (TOC) para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, centralizará o controle e comando de TI responsável por supervisionar 144 locais Olímpicos de competições e de não-competições e será apoiado remotamente por um novo Centro Técnico de Operações de Tecnologia permanente, situado na Espanha. Durante o período do evento, o site monitorará e controlará os sistemas, além de enviar resultados das competições à mídia mundial em tempo real.

Segundo o professor Robson Schiavo, da graduação em Educação Física do Complexo Educacional FMU, uma das inovações do ano que vem será o uso de uma ferramenta chamada “Passaporte Genético” que fará uma investigação genética do atleta, sendo possível identificar qualquer alteração anormal, por meio de métodos proibidos, na tentativa de melhorar a performance (Doping).

REFERÊNCIA

The physics of winning engineering the world of sport. David James. Centre for Sport and Exercise Science, Sheffield Hallam University, Collegiate Crescent Campus, Sheffield S10 2BP, UK.

CANALTECH. Tecidos tecnológicos garantem melhor desempenho aos atletas nas Olimpíadas 2012. http://corporate.canaltech.com.br/materia/olimpiadas/Tecidos-tecnologicos-garantem-melhor-desempenho-aos-atletas-nas-Olimpiadas-2012/

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