OS PIONEIROS TÊM SUA VEZ.

Hoje eu recebi a triste notícia do falecimento do meu nobre professor de instrumentação analítica, o senhor Pedro Estéfano Cohn. Essa notícia me fez lembrar da minha carreira na indústria, desde a instrumentação analógica da década de 70, das pessoas que influenciaram e das experiencias que tive.

Nos anos 70 no Brasil, ainda não se falava em automação industrial, havia pouquíssimos cursos de instrumentação, talvez apenas no SENAI de Santos e Salvador.

Sempre gostei de ciências e de química, mas minha formação básica é do SENAI-ETPC em Volta Redonda, de cursos de eletromecânica e eletrônica na ETFMC em Santa Rita do Sapucaí. Comecei a trabalhar com instrumentação na PETROBRÁS- REPLAN e logo os analisadores me chamaram atenção pela sua especificidade.

Uma refinaria daquela época não era uma planta que tinha muitos analisadores, mas tive a oportunidade de me iniciar com analisadores de oxigênio, medidores de pH e condutividade, silicômetros, densímetros e viscosímetros e outros do laboratórios, todos desse segmento petrolífero, tive um supervisor nessa refinaria que me ensinou muito, o saudoso Masahiko Yakamoto.

Naquela época e ainda hoje eu era muito curioso, e como se diz, um “fominha” por treinamentos, tive a grande oportunidade de participar de muitos cursos pela Petrobrás e dois deles foram no IBP e tive como instrutor o Pedro Cohn, onde aprendi sobre essa grande família diversificada de instrumentos de medição especiais, que iam além das variáveis comuns da instrumentação, além  das medições de vazão, pressão, temperatura e nível.

Como dia na orelha do seu livro lançado por Pedro Cohn em 2006 pela editora Interciência, o Pedro Cohn era formado em química e em instrumentação e controle desde 1963, com especialização em analisadores em linha e suas aplicações em processo, monitoramento ambiental e segurança das instalações industriais.

Estou falando de uma época em que os analisadores tinham ainda muito problema de confiabilidade, época em que a eletrônica analógica não era suficiente para suportar o desafio da migração das análises do laboratório para o campo e eram até tachados como “instrumentos que falhavam muito”.

Para se ter uma ideia mais clara da tecnologia dos anos 70, naquela época os analisadores convertiam os sinais DC dos sensores em sinais AC para os amplificadores analógicos, por meio de multivibradores eletromecânicos como relês. Nos anos 70 era comum encontrar medidores contínuos de pH (Beckman) com compensação manual da temperatura. As temporizações do ciclo de análise dos silicômetros eram feitas com motores de passo e os analisadores de oxigênio de óxido de zircônia (Thermox) eram a grande novidade que estava chegando no Brasil e substituindo a medição por paramagnetismo em aplicações de fornalhas.

Pedro Cohn atuava como consultor no segmento de petróleo desde 1993, atuando em parceria com o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), membro diretor da divisão de analítica da ISA (International Society for Automation and Control) e da comissão de automação da ABTCP (Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel).

Pedro Cohn foi um grande semeador de conhecimento sobre a tecnologia analítica de processos, que inspirou e orientou muitos profissionais de diversos segmentos da indústria que estavam envolvidos com medições que expressam as qualidades dos produtos em fase de produção.

Meu agradecimento ao ilustre professor que iluminou nossos primeiros passos nesse mundo dos analisadores industriais aqui no Brasil.

Discuss: “OS PIONEIROS TÊM SUA VEZ.”

  1. 6 de novembro de 2019 at 20:35 #

    Linda homenagem ao Pedro Cohn, grande mestre e amigo, que tanto contribuiu para a nossa área de I&C. Lembro muito das feiras da ISA e do stand da Actron, onde trocávamos experiências profissionais e também nos divertíamos muito.

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    Posted by Maria Aparecida B. Savoia
    • 7 de novembro de 2019 at 08:31 #

      Com os seus cursos pelo IBP e pela ISA, ele foi aqui no Brasil um desbravador da tecnologia aplicada à analítica online, Aprendi muito com ele. Apesar da evolução tecnológica que presenciamos hoje, o que faz a diferença é a competência e a atitude das pessoas. Um abraço Maria Aparecida!

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      Posted by Sérgio Trindade

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